Em Araguaína, descobriu-se recentemente um novo ramo da metafísica política: a interpretação esotérica de fotografias. Uma imagem, tirada na Câmara Municipal, foi suficiente para que alguns setores da imprensa local concluíssem, com a segurança dos oráculos que nunca acertam, que o presidente da Casa, Max Fleury, teria abandonado o grupo Bora Produzir, liderado pelo deputado Alexandre Guimarães, para aderir à possível candidatura do vereador Lucas Campelo a deputado federal.
Pois bem: não é verdade. E não o digo eu, diz o próprio Max, que conversou com O Na Íntegra e tratou de colocar ordem onde só havia especulação.
Segundo Fleury, seu apoio permanece, reitero, permanece, com o pré-candidato Raul Guimarães, irmão do deputado Alexandre e figura central do projeto político do grupo. Afirmou isso com a clareza que, às vezes, parece faltar a quem transforma cliques casuais em tese conspiratória.
Disse Max:
“Lucas Campelo é meu amigo e colega de parlamento. Meu candidato é o Raul Guimarães.”
Sim, leitores: em política, ainda é possível que duas pessoas tirem uma foto juntas sem que isso implique rompimento, adesão, rebelião ou anúncio de guerra civil. É bom repetir, porque há quem viva de enxergar terremotos onde há apenas cortesia.
Fleury, aliás, não poupou elogios a Campelo. Reconheceu que o vereador tem qualidades e que Araguaína precisa de quadros robustos na Câmara Federal, citando ainda Lázaro Botelho e Tiago Dimas. O que não significa, veja que coisa incrível, que tenha mudado de lado ou renegado os Guimarães.
No fim, sobra a lição:
na política, a foto vira fato quando falta apuração. E falta apuração quando sobra vontade de inventar enredo.

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