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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026
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Política

Além dos Shows: O Tocantins Precisa Abrir a Caixa-Preta das Emendas para Cirurgias e LED — Doa a Quem Doer

E como diria o velho de couro duro: a luz do LED não vai salvar ninguém, mas talvez ajude a iluminar os ratos.

Stoff Vieira Costa
Por Stoff Vieira Costa
Além dos Shows: O Tocantins Precisa Abrir a Caixa-Preta das Emendas para Cirurgias e LED — Doa a Quem Doer
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Sim, eu vou repetir, porque repetir, às vezes, é o único jeito de furar o tímpano da hipocrisia institucional: o maior esquema de corrupção da história do Tocantins atende pelo nome de EMENDAS PARLAMENTARES. É uma engrenagem tão robusta, tão meticulosa, tão eficiente, que faria corar qualquer ladrão clássico da política antiga. Os amadores roubavam obras; os profissionais, agora, roubam por dentro do orçamento.

E não, querido leitor, o problema não são só os shows, essa orgia de contratos fajutos, artistas fantasmas e prefeitos animadinhos com palco e som. Isso é, digamos, a caricatura. A palhaçada do picadeiro. O escândalo fácil.

O que poderá vim à tona agora é muito mais grave, muito mais sofisticado e, portanto, muito mais perigoso: EMENDAS PARA CIRURGIAS e EMENDAS PARA ILUMINAÇÃO DE LED. Sim, LED. O futuro. A modernidade. O progresso… e, tudo indica, o novo cofre aberto do submundo político.

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Se confirmadas as suspeitas, o Tocantins terá conseguido o impossível: transformar até cirurgia e iluminação pública em negócio privado, com a mesma desenvoltura com que alguns transformam dinheiro público em patrimônio pessoal.

Eis o ponto que ninguém gosta de dizer em voz alta, mas aqui vamos de peito aberto:
se há um esquema nas emendas para cirurgias, estamos diante da forma mais cruel de corrupção já vista no estado.
Porque quando se mexe com saúde, não se rouba apenas dinheiro.
Rouba-se tempo.
Rouba-se visão.
Rouba-se a vida das pessoas.

Enquanto isso, as emendas de LED, sempre elas, brotam em lote, como se o Tocantins estivesse prestes a virar Las Vegas do Cerrado. Quando, na verdade, muitos desses contratos parecem mais com arapucas perfeitas para sobrepreço, conluio e “coincidências” entre empresas, prefeitos e parlamentares.

O que temos?

  • Contratos milionários.

  • Empresas repetidas.

  • Licitações com cheiro de naftalina e falta de competição.

  • Prefeitos com boca de jacaré aberta para receber recursos.

  • E parlamentares orgulhosos em redes sociais, como se estivessem fazendo caridade com o próprio bolso.

É a estética da corrupção travestida de boa ação.

E aí vem a pergunta: por que diabos ninguém quer olhar com lupa para as emendas da saúde e do LED?
Porque não tem glamour.
Porque não dá palco.
Porque não dá clique fácil.
Porque onde a corrupção é mais silenciosa, ela é também mais rentável.

Mas o Tocantins precisa encarar essa realidade como quem leva um soco no estômago, daqueles que tiram o ar.
É duro?
É.
É feio?
Muito.
Mas é necessário.

Não adianta fingir que o problema é apenas um prefeito fanfarrão que contrata show superfaturado. Isso é o sintoma, não a doença.

A doença é a captura sistêmica das emendas.
A doença é um orçamento que se tornou balcão.
A doença é a naturalização da politicagem como instrumento de saque.
A doença é o silêncio cúmplice das instituições que deveriam fiscalizar, mas fazem cara de paisagem.

O Tocantins só vai sair desse colapso moral quando decidir abrir essa caixa-preta, TODA ela, e investigar cirurgia por cirurgia, lâmpada por lâmpada, emenda por emenda.

Quem tem medo disso, meu caro, não está preocupado com o povo.
Está preocupado com o próprio CPF.

E como diria o velho de couro duro:
a luz do LED não vai salvar ninguém, mas talvez ajude a iluminar os ratos.

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