A sessão de abertura dos trabalhos legislativos da Câmara Municipal de Araguaína foi marcada por um verdadeiro "desabafo" do vereador e ex-presidente Marcos Duarte. Ainda ressentido com a derrota para Max Baroli na disputa pela presidência da Casa, Duarte protagonizou um momento que pode ser descrito como um "tiro no pé".
Sem esconder o rancor e o sentimento de traição, o parlamentar usou o plenário para cobrar, ao vivo, supostas dívidas de empréstimos concedidos a outros vereadores. A cena gerou um clima de constrangimento e levantou suspeitas sobre possíveis compras de votos na eleição da Mesa Diretora.
O que poderia ter sido um momento de transição tranquila virou um escândalo desnecessário, colocando em xeque não apenas a postura de Duarte, mas a credibilidade do parlamento. Em vez de demonstrar maturidade e capacidade de articulação, o vereador passou a imagem de alguém movido por vingança e despreparo político.
O que faltou? Talvez experiência, talvez bom senso. Mesmo após um mandato bem avaliado à frente da Câmara, Duarte escolheu expor bastidores e supostos esquemas escusos, mas acabou prejudicando a própria imagem. Basta ver a repercussão nas redes sociais para perceber que a jogada não foi bem recebida pelo público.
Se buscava apoio para futuros projetos políticos, a estratégia foi desastrosa. Afinal, que políticos vão querer associar seus nomes a alguém que não hesita em tornar públicos os bastidores das negociações? Quem confiaria em firmar acordos e estratégias com Duarte daqui para frente?
O exemplo de Gideon Soares
Se tivesse seguido o exemplo do vereador e ex-presidente da Casa, Gideon Soares, a história poderia ser diferente. No passado, foi Duarte quem articulou para inviabilizar a reeleição de Gideon e assumir a presidência da Câmara. No entanto, Gideon não transformou sua frustração em ataques públicos. Pelo contrário: recuou, manteve boas relações e, ironicamente, até votou em Duarte na última eleição da Mesa Diretora – a mesma que acabou dando a vitória a Max Baroli.

Outros políticos experientes também demonstraram mais maturidade. Ronaldo Dimas, após perder para Wanderlei Barbosa na disputa pelo governo, não partiu para uma oposição radical e sem propósito. Jorge Frederico, ao ser derrotado na eleição municipal, seguiu o mesmo caminho. É assim que agem aqueles que entendem o jogo político.
Duarte, por outro lado, escolheu o caminho do desgaste público. A questão agora é: conseguirá ele reverter essa imagem e recuperar a confiança nos bastidores?

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