Quem já não ouviu a afirmação : O vereador é o pára-choque da política! Aquele que recebe as demandas e acolhe o eleitor quando desaparecem os demais políticos.
Pois bem, são coisas do passado, se observarmos bem o que vem acontecendo na política tocantinense. Pergunte a qualquer deputado: o que é uma planilha?
Planilha vem a ser o que os vereadores cobram dos candidatos, pelo seu apoio. Não estamos falando dos gastos que os candidatos tem que fazer durante a campanha, como combustível, ala moça, comitê, carro de som.
Nada disso, a planilha é o dim-dim que o vereador cobra do candidato pela preferência do apoio. Coisa que ele vai usar para dar uma “ajeitada” na vida até para poder dar votos para aquele que busca o seu apoio.
E os valores? Vereador do interior 7,5mil, 3 parcelas de 2,5. Julho/agosto/setembro Cidades médias 15 mil, 3 parcelas de 5. Cidades grandes 30 mil , 3 parcelas de 10!
Feita a planilha, ou seja, a aquisição do apoio, o resto fica por conta do candidato. Quer contratar 100 pessoas? Pague pelas 100 pessoas! Quer ter dois carros de som ? Contrate 2 carros de som.
Resumindo: Quando um candidato diz que tem 5 vereadores num município, quer dizer que ele combinou uma planilha com os 5. Nesse caso, o candidato a deputado estadual paga a sua, o candidato a federal idem. O que pode ser dividido, são as demais despesas explicadas acima, carro, combustível etc.
Recentemente os candidatos ao cargo de senador, passaram também a pagar esse “pedágio”, inventado pelos edis, os nosso “nobres” vereadores.
Contam os bastidores que na última eleição para o senado, essa ferramenta foi decisiva para a eleição de um jovem senador tocantinense. Ele mal aparecia nas pesquisas, foi diretamente nos vereadores do estado inteiro e numa reta final espetacular, acabou abocanhando a 2ª vaga.
Basta olhar para os resultados dos grandes centros, em Palmas, por exemplo, o senador eleito que ficou com a 2ª vaga, amargou um 7º lugar, perdendo até para a dupla de candidatos ao senado pelo PSL, Antônio Jorge e Farlei.Esse mesmo cenário repetiu-se nos demais grandes centros.
Assim sendo, podemos afirmar que as “palmilhas” funcionaram com força, nos pequenos e médios municípios.
As eleições desse ano mal começaram e já estamos tendo notícias de vereadores reunidos em blocos de 5 a 8 integrantes, anunciam suas “adesões” a um determinado candidato, antes mesmo de escolherem seus candidatos a governador, presidente da República.
Recentemente tivemos notícias de adesões de vereadores já ocorreram em favor do pré-candidato Ataides de Oliveira. O curioso é que o pré-candidato não tem palanque definido em relação a governador. As fontes dão notícias de que o citado pré-candidato já “cumpre” uma parcela no imediato!
"É injeção na veia", diz um vereador ouvido pelo O na Íntegra.
Para um cargo tão importante, a discussão não se da nas federações da indústria, diretórios acadêmicos, associação de moradores. Nada disso, a conversa é com os vereadores!
Os sites e blogs do estado dão conta de reuniões da senadora Kátia Abreu com vereadores de Palmas. Se observarmos a última eleição disputada pela senadora, as suplementares de 2018, em Palmas, ela obteve apenas 6,5 % dos votos, num desalentador 4º lugar.
A solução para melhorar o desempenho agora em 2022, seriam os nobres vereadores?
A verdade é que passou da hora do Ministério Público Eleitoral colocar uma lupa nessas misteriosas planilhas usadas pelos atravessadores de votos, cabos eleitorais, ex-pára-choques da política municipal.

Comentários: