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Domingo, 14 de Junho de 2026
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Silêncio dos inocentes ou dos culpados? Deputados tocantinenses mantém silêncio sobre afastamento de Carlesse

O silêncio da grande maioria dos parlamentares causa estranhamento.

Stoff Vieira Costa
Por Stoff Vieira Costa
Silêncio dos inocentes ou dos culpados? Deputados tocantinenses mantém silêncio sobre afastamento de Carlesse
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Um silêncio incomodo toma conta da Assembleia legislativa do Tocantins. Há exatos vinte e dois dias do afastamento do Governador em exercício Mauro Carlesse, os deputados estaduais do tocantins parecem residir em um universo paralelo e que desconhecem os crimes dos quais Carlesse é investigado. 

Carlesse foi afastado por causa de duas investigações que correram de forma paralela. Uma apura um suposto esquema de pagamento de propina relacionado ao plano de saúde dos servidores públicos, o antigo Plansaúde e atual Servir. Os investigadores acreditam que mais de R$ 40 milhões podem ter sido desviados.

A segunda investigação é sobre interferência na Polícia Civil. Carlesse teria afastado delegados que investigavam aliados políticos e o próprio governo em supostos esquemas de corrupção e criado até novas leis para evitar que políticos fossem criticados publicamente por autoridades policiais. 

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Carlesse foi apontado como chefe de uma quadrilha que desviou R$ 44 milhões dos cofres do estado. Segundo as investigações, durante a pandemia, os hospitais autorizados a atender o plano de saúde dos funcionários do estado eram instados a pagar propina.

Porém, segundo o inquérito que levou ao afastamento, além das evidências de corrupção, a Polícia Federal apurou que Carlesse usava o aparato estatal para outros fins, como investigar e perseguir adversários. O deputado Vicentinho Júnior (PL-TO), por exemplo, teve os telefones interceptados clandestinamente e as informações colhidas foram parar em um dossiê apócrifo.

Segundo a revista Veja, que obteve informações sobre as investigações da PF, Carlesse teria empregado a estrutura estatal na investigação de nada menos do que um suposto caso de infidelidade de sua mulher, a primeira-dama Fernanda Mendonça.

A situação teria sido descoberta após o promotor de eventos de rodeio Ernandes Araújo procurar os agentes da PF para pedir ajuda, apontando ter sido vítima de uma operação que resultou em um flagrante forjado em sua própria casa, fato que o levou a ficar onze dias preso acusado de uso e tráfico de drogas.

Dias antes da operação policial, Ernandes tinha sido apontado como autor de um vídeo que revelava um suposto caso amoroso entre a primeira-dama e o vaqueiro Welisson Barbosa. O tal vídeo mostraria fotos e mensagens trocadas entre Fernanda e o suposto amante. Por ser amigo do vaqueiro, o promoter foi logo considerado autor da gravação, o que ele nega.

A PF então recuperou imagens de câmeras de segurança que mostraram um carro a serviço da Polícia do Tocantins parado nas proximidades da casa de Ernandes, às vésperas do flagrante. Os agentes federais também colheram provas de que a casa de Araújo foi invadida no mesmo dia, provavelmente para plantar as drogas achadas no local.

Reação dos parlamentares

Neste um mês houve apenas uma tentativa, encabeçada pelo deputado Júnio Geo (PROS), de abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para tratar do caso. Somente um integrante da AL além de Geo, Elenil da Penha (MDB), se dispôs a assinar. Os demais, preferiram não ter as digitais no assunto caso Carlesse consiga reverter o afastamento na Justiça.

Pagamento de mesada ao deputados

Afinal, o que significa o silêncio dos parlamentares tocantinenses na AL-TO? Certamente não é o silêncio dos inocentes e não somente fidelidade e amizade ao Governador. Em conversa com uma liderança de um determinado partido politico do Estado, o líder politico fez uma afirmação assombrosa.

"Os deputados continuaram calados. Existia um esquema de mesada paga por Carlesse aos parlamentares da Assembleia legislativa do Tocantins. Esse valor variava de R$ 100 mil ou R$ 200 mil, o deputado do meu partido recebia no valor de R$ 100 mil reais", afirmou a fonte.

 

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