O esquema escandaloso montado pelo Governo Federal para comprar apoio de parlamentares no Congresso Nacional, que foi revelado na manhã de domingo (9) pelo jornal Estadão, já ganhou dois apelidos que estão repercutindo com força nas redes sociais: “tratoraço” e “bolsolão”. Os dois termos, no início da tarde, figuram na lista de assuntos mais comentados do Twitter.
Segundo reportagem de Breno Pires, Jair Bolsonaro montou, no final de 2020, um orçamento secreto e paralelo no valor de R$ 3 bilhões em emendas para comparar congressistas. Boa parte do dinheiro era destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas por preços até 259% acima da referência.
O conjunto de 101 ofícios foi encaminhado, por deputados e senadores, ao Ministério do Desenvolvimento Regional para apontar como eles preferiam utilizar os recursos comprova a farra com dinheiro público.
Os ofícios, obtidos pelo Estadão, indicam que o esquema passa por cima das leis orçamentárias, pois é atribuição dos ministros definir onde e como aplicar os recursos. Além disso, prejudica o controle do Tribunal de Contas da União (TCU).
Entre os ofícios adquiridos pelo Estadão está o do deputado federal Vicentinho Júnior (PL). Nele, o tocantinense cobra da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) a aplicação de R$ 600,2 mil para compra de duas pá carregadeiras, uma escavadeira e um caminhão leve para Araguanã. No documento, o parlamentar fala que foi “contemplado” com o valor e fala em autorização para contingenciar 4,5% da reserva técnica do órgão de modo a garantir a execução das aquisições. O texto indica um desrespeito às legislações orçamentárias, visto que é o Executivo que define a aplicação dos recursos.
O que diz Vicentinho Junior?
Em nota, Vicentinho Júnior afirma “desconhecer” a existência de um orçamento secreto. O deputado disse ainda, que trabalha para viabilizar recursos para o Tocantins “desde o primeiro dia do mandato” e “independente da gestão”. “Apresentar estas demandas ao governo federal nada mais é do que cumprir com o dever para o qual foi eleito”, defende o congressista, acrescentando que sempre divulga todas as ações feitas neste sentido.
Nota na integra


Comentários: