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Sexta-feira, 17 de Abril de 2026
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Concurso Garota Expoara e o racismo estrutural

Faltou a beleza do cabelo afro da mulher negra araguainense, assim como faltou bom senso.

Stoff Vieira Costa
Por Stoff Vieira Costa
Concurso Garota Expoara e o racismo estrutural
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A jovem Letícia Cavalaro, 20 anos, foi a grande vencedora do concurso Garota Expoara 2022. Ao todo, 10 jovens estavam disputando o chapéu mais cobiçado da Exposição Agropecuária de Araguaína. O desfile aconteceu na noite desta quinta-feira (2). 

Mas o que de fato chamou a atenção, foi que entre as dez finalistas do concurso, nenhuma mulher negra estava entre às dez selecionadas pela comissão organizadora. A organização do concurso foi realizada pela ex-secretária de Cultura de Araguaína, Marli de Carvalho.

Uma cidade do tamanho de Araguaína, com inúmeras mulheres afrodescendentes belíssimas, fica difícil de acreditar que das dez finalistas, nenhuma de pele negra se encaixava nos padrões de beleza estabelecidos pela comissão organizadora.

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Faltou a beleza do cabelo afro da mulher negra araguainense, assim como faltou bom senso.

É lamentável a ausência de representatividade em um evento da importância do Garota Expoara, dentro de uma das maiores festas Agropecuárias do Estado, e escancara o racismo estrutural, ainda tão presente na sociedade brasileira.

O que é racismo estrutural

O racismo estrutural consiste na organização de uma sociedade que privilegia um grupo de certa etnia ou cor em detrimento de outro, percebido como subalterno. A partir de um conjunto de práticas excludentes frequentes e por um longo período de tempo, criam-se discriminações de complexa resolução e nem sempre de percepção explícita.

Trata-se de um processo histórico no qual as classes subordinadas são submetidas à opressão e à exploração das classes dominantes. O racismo estrutural está enraizado na estrutura social e orienta as relações institucionais, econômicas, culturais e políticas.

No Brasil, em relação aos negros, o racismo estrutural se perpetua desde os tempos da escravidão, no início do século XVI. A imposição da cultura dos colonizadores portugueses, o massacre da população escravizada e a ausência de direitos aos negros após a abolição da escravatura deixou a herança de uma visão racista de inferioridade.
Com o tempo, as pessoas negras conquistaram mais espaço e direitos no país, mas ainda hoje se veem pouco representadas na política, são maioria no sistema carcerário, representam a fatia principal da população pobre e têm menos acesso à educação. Assim, conserva-se o sistema de hegemonia da classe branca, com restrição de oportunidades, inclusão e ascensão social dos negros.

O que diz o Sindicato Rural?

O Na integra entrou em contato com assessoria de comunicação do Sindicato Rural e questionou quantas negras teriam se inscrito no concurso e até o fechamento da matéria não obteve resposta.

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