Há atores bons. Há atores excepcionais. E há Jesuíta Barbosa em Homem com H. O que ele faz em cena não é simples atuação — é incorporação, é possessão artística, é uma entrega rara e arrebatadora que transforma a tela em uma extensão viva da alma de Ney Matogrosso.
É difícil assistir ao filme e não se perguntar: “onde termina Jesuíta e onde começa Ney?”. A resposta é simples: não termina. Não começa. É um só.

Nos olhos, ele transborda a fúria contida e o desejo reprimido. Nos gestos, desenha a ousadia de quem nunca aceitou se encaixar. Na respiração, carrega o peso de quem passou uma vida tentando ser livre em um mundo que o queria calado. E no silêncio... ah, no silêncio, diz mais do que muitas biografias inteiras.
Um roteiro que respeita a alma do artista
Homem com H não é apenas mais uma cinebiografia. É um mergulho cru, visceral e sem filtros em uma história marcada por dor, preconceito, resistência e arte. O roteiro evita o didatismo. Ele não explica — ele sente. E nos faz sentir junto.

A infância militarizada, o medo sufocado, a descoberta da própria voz, o sucesso meteórico com os Secos & Molhados, a solidão do estrelato e a coragem de viver seu desejo sem pedir licença... tudo é contado com delicadeza e brutalidade, numa medida que só a verdade é capaz de alcançar.
Uma direção corajosa e uma fotografia que sangra beleza
A direção de Esmir Filho é cirúrgica, intensa, sem medo de cutucar feridas abertas. Não há glamour forçado, nem apelo dramático barato. A câmera entra no íntimo do personagem e, muitas vezes, parece que vamos ser devorados por ele. A fotografia é suja, bela, poética — respira junto com a dor e o delírio.
O palco e a solidão, o brilho e o abismo, tudo está ali. Homem com H é um retrato nu, mas jamais frio.
O melhor do cinema nacional em 2025
Se você procura o que há de melhor para assistir neste ano, Homem com H é a resposta. Não apenas pela grandiosidade da figura de Ney Matogrosso, mas pela potência artística da obra como um todo. Um filme que rasga convenções, que emociona sem pedir, que levanta a bandeira da arte como arma e da existência como revolução.
Jesuíta Barbosa não apenas interpreta. Ele evapora e se reconstrói em Ney. É monstruoso. É magistral. É, sem dúvida, uma das maiores atuações do cinema brasileiro em muitos anos.
Homem com H está disponível na Netflix.
Prepare o coração. E os olhos.

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