Coronelismo foi uma prática política, comum durante a República Velha, na qual os coronéis coagiam seus subalternos a votarem em seus candidatos para se manterem no poder.
Caso o eleitor não votasse no candidato indicado pelos coronéis, poderia ser punido. Atualmente, essa prática ainda existe, principalmente nos locais onde predomina o crime organizado e onde os líderes políticos recorrem ou se aliam a criminosos para coagir eleitores e profissionais de imprensa.
A violência política por muito tempo foi visível na política tocantinense, violência essa que permaneceu ao longo dos anos e ficou conhecida como a política da "espora e da chibata".
No entanto, os tempos são outros e a impressão que tínhamos é que a truculência, a violência política era página na virada. Apenas a impressão, a realidade é outro.
Prefeito agredido
No dia 11 de Outubro de 2022, um prefeito e um Secretário municipal foram espancado na Capital Palmas.
O prefeito Elio Dionízio (PTB) e um secretário de Chapada da Natividade, no sudeste do Tocantins, foram agredidos por dois homens em um estacionamento no centro de Palmas. Na ocasião caso foi registrado por câmeras de segurança e as imagens repercutiram nas redes sociais. O motivo do crime nunca foi esclarecido.
As imagens da época, mostram o momento em que o motorista para a caminhonete e desce do veículo junto com o prefeito. Neste mesmo instante outro veículo para na Avenida JK e dois homens desembarcam.
Os agressores caminharam em direção ao motorista e ao prefeito e iniciaram as agressões contra as duas vítimas. Dionízio foi empurrado, agredido com pelo menos um soco, caiu no chão e levou um chute.

Após os atos de covardia os agressores saíram correndo em direção à avenida.
De acordo com informações da Polícia Militar (PM) na ocasião, dois indivíduos abordaram o prefeito e o motorista dizendo '"perdeu, perdeu" e iniciaram as agressões. As vítimas correram para o interior da loja para escapar dos chutes e pontapés. O prefeito ainda teria percebido um volume na cintura dos agressores, sinalizando que estavam armados.
Ainda que, até hoje a violência sofrida pelo prefeito e o Secretário não tenha sido esclarecida, para os mais próximos as vítimas e até mesmo nos bastidores políticos, os mandantes têm nome e sobrenome, alguns até arriscam-se a sussurrarem de forma cuidadosa e apreensiva, mas logo acrescentam.
"Eles são perigosos, ninguém se atreve a falar deles. Nem os políticos tem coragem, todos conhecem a forma deles agir", disse uma fonte ao O na íntegra.
Jornalista ameaçado
Na última quarta-feira, 12, esse profissional que vos escreve, também foi vítima da violência política patrocinada ou promovida por esses "novos coronéis" da política tocantinense.
Na manhã da quarta-feira, estava na minha residência quando recebi uma ligação do autor das ameaças, que informou que encontrava-se em frente a casa da minha mãe juntamente com um outro indivíduo por nome de Georton Luiz e precisava falar comigo.
Sugeri que os mesmo se deslocassem até minha residência. Ao chegar em frente a casa os dois indivíduos pediram que entrasse no veículo pois o assunto era sigiloso e necessitava de descrição.
Após eu entrar no veículo, o indivíduo ainda não indetificado afirmou que acompanhava o meu trabalho no portal O na íntegra e que estava expondo a deputada estadual Janad Valcari em relação a processos da parlamentar em esquemas de fraudes em licitações e que caso continuasse poderia está colocando em risco sua integridade física e sua vida.
Ao me sentir ameaçado sai do carro e disse aos indivíduos que não aceitaria intimidação ou ameaças, nesse momento o indivíduo ainda não identificado teria dito:
"Se continuar citando a deputada Janad Valcari em suas reportagens e vídeos você vai perder sua vida", ameaçou o indivíduo.
Na manhã seguinte registrei boletim de ocorrência, acompanhado do advogado Dr. Radu Serbu.

Servidor ameaçado
Após repercussão da notícia da ameaça que sofri, recebi a ligação de um Servidor público que nos relatou de forma detalhada a ameaça que também teria sofrido em Outubro de 2022 por parte do marido de uma candidata a deputada estadual na época.
O servidor que preferiu não ter o nome divulgado, relatou que as ameaças iniciaram no período da campanha eleitoral após compartilhar em grupos de WhatsApp, notícias que afirmava que a candidata na época e hoje deputada era investigada por um esquema de fraude em licitações.
Ainda de acordo com o relato da vítima, que será publicado na íntegra em matéria posterior, o homem que se identificou como marido da então candidata lhe pressionou para que revelasse quem teria lhe enviado as matérias jornalísticas, diante da recusa chegou a oferecer uma relevante quantia em dinheiro para que revelasse o nome de quem teria lhe enviado o material, não obtendo êxito o indivíduo ameaçou a vítima.
Ausência de Estado
É visível todas essas violências políticas é o resultado da ausência do Estado, do desinteresse dos órgãos de Segurança Pública em apurar, investigar e punir os responsáveis.
É lamentável que ao procurar a delegacia de polícia falte interesse do órgão até mesmo ouvir a vítima. No meu caso fomos ouvidos por um assistente administrativo, onde estava o delegado responsável? O ideal não seria ter sido ouvido pelo delegado titular?
Mesmo relatando que tínhamos o número do telefone do indivíduo ainda não indetificado e entregando-o, a informação nem ao menos descrita no boletim de ocorrência.
Política do silêncio
É no mínimo lamentável que as autoridades e lideranças políticas deste Estado permaneçam nesse incômodo silêncio diante dos mais diversos casos de intimidação, ameaças e violência política. Será que não existe um só político ou representante do povo com "cunhão" e coragem suficiente para levantar a voz, questionar e cobrar apuração e punição? Até a classe política, os mandatários estão acovardados, emudecidos e com medo dos novos coronéis do Tocantins?

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