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Domingo, 05 de Abril de 2026
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Tieta dá uma lição: por que o público ainda prefere o velho “novelão” ao experimentalismo moderno?

Não é a falta de tecnologia ou orçamento que explica os tropeços atuais; é a falta de “novela com cara de novela”. Falta o “arroz com feijão” bem temperado, que marcou a era de ouro da teledramaturgia brasileira.

Stoff Vieira Costa
Por Stoff Vieira Costa
Tieta dá uma lição: por que o público ainda prefere o velho “novelão” ao experimentalismo moderno?
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O surpreendente sucesso da reprise de Tieta do Agreste nas tardes da Rede Globo revela muito mais do que simples nostalgia. A novela, escrita por Aguinaldo Silva e baseada na obra de Jorge Amado, mesmo mais de três décadas após sua primeira exibição, continua cativando o telespectador brasileiro. Em um momento em que a emissora enfrenta rejeição e baixa audiência em seu horário mais nobre — como evidenciado pelo fracasso da recém-encerrada Mania de Você, de João Emanuel Carneiro — a pergunta que ecoa é inevitável: o que Tieta tem que as novelas atuais perderam?

O que se observa é uma desconexão cada vez maior entre os autores contemporâneos e o gosto popular. Na ânsia de inovar, muitos roteiristas tentam transformar novelas em séries sofisticadas, com estruturas narrativas fragmentadas, estéticas carregadas e reviravoltas que beiram o absurdo — mas não o absurdo divertido e emocional das novelas clássicas, e sim o absurdo frio, pretensamente “cabeça”.

O público brasileiro, por sua vez, segue fiel ao que sempre lhe agradou: uma boa história, com personagens carismáticos, conflitos familiares, humor popular, melodrama e, acima de tudo, brasilidade. Tieta é a síntese disso tudo. É um retrato exagerado e encantador do Brasil profundo, com personagens caricatos mas de alma verdadeira, que provocam tanto o riso quanto a reflexão.

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Não se trata apenas de saudosismo. O sucesso da reprise indica que o público quer, sim, se emocionar, se envolver com tramas que falem diretamente com sua realidade — ainda que fantasiosa. Não é a falta de tecnologia ou orçamento que explica os tropeços atuais; é a falta de “novela com cara de novela”. Falta o “arroz com feijão” bem temperado, que marcou a era de ouro da teledramaturgia brasileira.

O telespectador de hoje está mais exigente, é verdade. Mas exigência não significa rejeição ao tradicional. Significa pedir coerência emocional, personagens com profundidade, e histórias que façam sentido dentro do universo novelesco. A tentativa de “reinventar a roda” esbarra na essência do gênero: novela boa é aquela que nos prende pela emoção, não pela complexidade.

Tieta está aí para provar que o bom e velho “novelão” ainda tem lugar cativo no coração do brasileiro. Talvez seja hora de os autores atuais ouvirem mais o público e menos as tendências passageiras das plataformas de streaming. Porque, no fim das contas, o que o Brasil quer mesmo é uma novela com alma.

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