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Terça-feira, 16 de Dezembro de 2025
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Política

A Subcâmara de Luzimangues — o milagre de R$ 400 mil em reformas e R$ 50 mil mensais em assessores fantasmas

Enquanto o prédio ainda está em reforma, os assessores já estão reformando o bolso, tudo pago com o dízimo forçado do contribuinte.

Stoff Vieira Costa
Por Stoff Vieira Costa
A Subcâmara de Luzimangues — o milagre de R$ 400 mil em reformas e R$ 50 mil mensais em assessores fantasmas
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O presidente da Câmara de Vereadores de Porto Nacional, Silvaney Rabelo, talvez tenha descoberto o que nem os alquimistas da Idade Média conseguiram: a fórmula de transformar cimento, tijolo e tinta em dinheiro vivo. A façanha atende pelo nome pomposo de Subcâmara Municipal de Luzimangues, um monumento à criatividade orçamentária e ao desprezo pela inteligência do eleitor.

A ideia é tão “inovadora” que merecia patente: criar uma subcâmara, alugar um prédio, reformá-lo por quase R$ 400 mil e, de quebra, nomear uma tropa de assessores com salário de R$ 3.800 cada. Tudo isso antes mesmo de o prédio existir em condições de uso. É a primeira vez na história política recente que o funcionalismo público bate ponto no plano das ideias — sem mesa, sem cadeira, sem endereço, mas com o pagamento em dia.

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Sim, caro leitor, os assessores de vereador da Subcâmara de Luzimangues foram nomeados em agosto, mas a obra começou apenas em outubro e ainda vai levar 60 dias. Ou seja: há gente recebendo para trabalhar num lugar que, oficialmente, ainda está em obras. É a perfeita síntese da eficiência pública tropical: servidores sem função, prédio sem uso e dinheiro público sem rumo.

E tudo isso sob o olhar complacente de quem deveria fiscalizar. A Câmara de Porto Nacional parece ter confundido “transparência” com “invisibilidade”: ninguém vê, ninguém sabe, ninguém explica. É o teatro da impunidade encenado com recursos do contribuinte, e a plateia, nós, ainda paga o ingresso.

Enquanto isso, Luzimangues, que precisava de escola, hospital e infraestrutura, ganha... um prédio em reforma e uma folha de pagamento que trabalha apenas no papel. Talvez seja o primeiro caso de uma obra pública onde o orçamento foi concluído antes da construção.

Silvaney Rabelo pode até achar que criou uma subcâmara. Mas, na prática, o que nasceu foi uma sub-realidade, uma mistura de ficção orçamentária com comédia trágica. E, como toda boa ironia brasileira, a piada é cara, e quem paga é o povo.

Veja a lista dos servidores fantasmas da Subcâmara de Luzimangues:

1. Ana Paula Moraes Brito

2. Dalila Barros de Sousa

3. Elisvalton Rodrigues de Andrade

4. Elizangela da Cruz Silva

5. Kauan de Sousa Pereira

6. Kennedy Vilarinho Bezerra

7. Leuza Rodrigues Pereira

8. Liomar Barreira Luz

9. Nelma Carvalho Neres

10. Pedro Henrique Oliveira de Sousa

11. Rivaldo Ribeiro Pinto

12. Rozana Gomes Batista

13. Tatiane de Andrade Costa

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