O influenciador tocantinense Fabio Neto fez uma acusação gravíssima nas redes sociais: afirmou que o PT estaria convocando influenciadores e, segundo o relato apresentado no vídeo, deixou claro que não teria aceitado a suposta proposta.
Mas há uma pergunta que não pode ser ignorada: se ele diz que não aceitou, de quem é o dinheiro que aparece no vídeo?
A cena mostra um volumoso malote de cédulas de R$ 100. E, diante disso, a discussão deixa de ser apenas política e passa a ser também financeira e policial.
É preciso deixar claro: a imagem do dinheiro, sozinha, não prova que os valores sejam do PT, que tenham sido oferecidos a Fabio Neto ou que sejam provenientes de qualquer atividade ilícita.
Tampouco a acusação feita pelo influenciador pode ser tratada como fato sem documentos que a sustentem.
Mas justamente por isso a Polícia Federal deveria investigar.
Se existe um malote, é perfeitamente razoável perguntar: qual é a origem desse dinheiro? Está declarado? É de propriedade de quem? Houve saque bancário? Existe contrato que justifique os valores? Quem entregou? Para quem seria destinado? Há documentação fiscal?
E há uma pergunta ainda mais séria: os valores são lícitos ou existe alguma possibilidade de lavagem de dinheiro?
Não se está acusando Fabio Neto de cometer crime. Está se cobrando exatamente o contrário: que os fatos sejam esclarecidos antes que acusações gravíssimas sejam transformadas em verdade pelas redes sociais.
O próprio influenciador, que afirma ter recusado a suposta contratação, deveria ter todo interesse em esclarecer publicamente a origem do dinheiro que aparece no vídeo. Se os recursos são lícitos e devidamente declarados, ótimo. Que se mostre. Se há documentação, melhor ainda.
Agora, se a denúncia envolve uma estrutura organizada para remunerar influenciadores politicamente, também é obrigação das autoridades verificar quem financia, como financia e por onde circula o dinheiro.
A Polícia Federal não precisa acreditar em Fábio Neto. Precisa investigar a denúncia e, principalmente, seguir o dinheiro.
Porque dinheiro em espécie pode ser perfeitamente legal. Mas, quando aparece associado a uma denúncia política de milhões de visualizações, não pode ser tratado simplesmente como cenário de vídeo.
A pergunta é simples: PF, de onde veio o malote?

Comentários: