Mais uma vida perdida. Mais um escândalo envolvendo privilégios e irresponsabilidade. Maria Alice Guimarães da Silva, de 25 anos, foi brutalmente atropelada e arrastada por metros na BR-153, em Araguaína (TO), na manhã deste sábado (22). O responsável? Um jovem de 21 anos, sem habilitação, dirigindo uma BMW. Ele saiu ileso, recusou o teste do bafômetro.

A BMW pertence à esposa do procurador do município, Gustavo Fidalgo. O passageiro do carro era filho do casal. Ou seja, o veículo estava nas mãos erradas por decisão de quem deveria dar o exemplo.

Não há espaço para dúvidas: quem entregou essa BMW ao jovem sem habilitação e que já havia matado outra pessoa no trânsito, cometeu um crime. Se foi Gustavo Fidalgo ou sua esposa, ambos são responsáveis diretos pela morte de Maria Alice. Não há acidente quando há negligência escancarada.
Além da tragédia, surge um dilema moral e institucional: como um procurador municipal pode permanecer no cargo depois disso? Um homem encarregado de zelar pela legalidade permitiu ou ignorou uma situação que levou à morte de uma pessoa. O mínimo que se espera é sua exoneração imediata. Se ele não tiver a decência de renunciar, cabe ao prefeito removê-lo.
A pergunta que fica é: quem protege quem? Se a lei não for aplicada com rigor neste caso, estará mais uma vez provado que, no Brasil, a Justiça tem olhos abertos para punir uns e cegueira seletiva para outros.

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