A história de uma criança assassinada, sete acusados e um ritual macabro que ganhou notoriedade por todo o país. Há quase 30 anos, Evandro Ramos Caetano, na época com seis anos, desapareceu no trajeto entre a casa e a escola, em Guaratuba, no litoral do Paraná.
Cinco dias depois, um corpo foi encontrado em um matagal sem os órgãos e com mãos e dedos dos pés cortados. À época, a cidade ainda vivia a comoção pelo desaparecimento de outro menino, Leandro Bossi, que havia sumido dois meses antes e nunca mais foi encontrado.
O jornalista Stoff Vieira Costa conversa hoje, em uma live entrevista, com Celina e Beatriz Abagge, filha do então prefeito da cidade, Aldo Abagge, que foi a principal acusada de encomendar a morte de Evandro em um ritual religioso. Por causa disso, o caso também ficou popularmente conhecido como "As Bruxas de Guaratuba".
Elas chegaram a confessar o crime, mas depois alegaram que tinham sido torturadas pela polícia para admitir o ritual.
A série documental
O Caso Evandro, a série documental concluída pelo Globoplay no início de junho, teve o mérito de construir uma narrativa envolvente e cheia de reviravoltas. Mas não só: a produção inpirada no podcast homônimo de Ivan Mizanzuki, ainda jogou luz sobre abusos graves cometidos pela polícia e pelo sistema judiciário brasileiros --e, depois dela, o caso deve ganhar novos capítulos na Justiça.
Para recapitular: a série trata da morte do menino Evandro Ramos Caetano, ocorrida em 1992 em Guaratuba, no litoral do Paraná. Celina e Beatriz Abagge --respectivamente mulher e filha do então prefeito Aldo Abagge-- foram acusadas de serem as mandantes do crime, que seria supostamente parte de um ritual satânico. Não à toa, o caso ficou conhecido na imprensa como “Bruxas de Guaratuba”, em referência a ambas.
Na época, elas e outros três acusados --Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos Soares e Vicente de Paula-- confessaram o crime em gravações. No entanto, seguindo o que o podcast já havia feito em março de 2020, a série trouxe à tona a existência de fitas que comprovam que as confissões não só foram editadas, como ainda foram obtidas sob tortura cometida pela polícia militar.
“É um prato cheio para a defesa”, chega a dizer o promotor público Paulo Sérgio Markowicz de Lima, no sétimo episódio da série, após ouvir as fitas. Elas não foram incluídas entre as provas durante os julgamentos do caso, e o Ministério Público alegou, à produção, que não tinha conhecimento da existência delas.
Beatriz Abagge chegou a ser condenada a 21 anos de prisão em 2011, antes de obter o perdão do estado do Paraná em 2016. Para Celina, que já tinha mais de 70 anos, o crime havia prescrito. Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos Soares e Vicente de Paula também foram condenados. Eles cumpriram pena, e o último morreu ainda na prisão, vítima de câncer.
Agora, a defesa de Beatriz e Celina, liderada pelo advogado Antonio Augusto Figueiredo Basto, pretende, nos próximos dias, entrar com um recurso no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), pedindo a anulação do julgamento e indenização do Estado. Segundo Basto, que falou à rádio CBN, se a existência dessas fitas fosse conhecida antes, o processo contra os acusados não teria ido em frente: “As torturas são, sob a minha ótica, absolutamente demonstradas”.
A defesa ainda vai protocolar um pedido na Corte Internacional de Direitos Humanos, na Procuradoria-Geral da República e na Ordem dos Advogados do Brasil.
A live
A live com a a participação de Beatriz Abagge será as 19hs15min no facebook do jornalista Stoff Vieira Costa.


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