O assassinato do empresário e ex-candidato a vice-prefeito José Paulo Couto, aos 75 anos, revela muito mais do que um crime bárbaro. Revela a mente de um autor, ou autores, que não age por impulso, mas por cálculo. Um criminoso que não grita, não corre, não improvisa. Um monstro elegante, que planeja cada movimento, domina o tempo, manipula o espaço e mata com método.
O laudo cadavérico revela uma realidade aterradora: a vítima foi amarrada, torturada, teve fratura no punho, perfuração no pescoço, e foi estrangulada com uma corda. Depois disso, o corpo foi desovado sob uma ponte, embrulhado em lençóis. Trata-se de uma execução com sinais claros de dominação, sadismo contido e frieza absoluta.
Esse não é o perfil do criminoso comum. Esse é o retrato de um indivíduo inteligente, emocionalmente blindado e socialmente funcional. Provavelmente alguém conhecido da vítima. Talvez alguém com quem ela já dividiu uma sala, um negócio, um segredo.
A forma como Paulo Couto foi morto, e mais ainda, como foi deixado, revela um desejo de punição simbólica. Amarrar e torturar é, em essência, reduzir o outro à impotência total. Estrangular exige presença. Contato. Pressão prolongada. Não é um tiro à distância, é uma assinatura psicológica: “Eu te vejo, eu te seguro, eu te controlo”.
Mais assustador ainda é o pós-crime. O assassino teve calma e tempo para organizar o cenário da ocultação, carregando o corpo até um ponto afastado, entre mato, água e concreto. Esse não é o ato de um marginal desesperado. É alguém que conhece a cidade, entende riscos e acredita estar acima da suspeita.
Podemos estar diante de uma pessoa respeitada publicamente. Um empresário. Um ex-político. Um funcionário de alto cargo. Ou, talvez, alguém que age sob ordens, um executor treinado, pago para não sentir. Seja qual for a face por trás do lençol, o que temos é um perfil que mistura inteligência, frieza e psicopatia funcional.
Esse tipo de criminoso é mais perigoso que o ladrão de esquina. Ele não precisa de impulso. Ele não precisa roubar. Ele mata porque está resolvendo um problema. Porque alguém o incomodava. Porque o silêncio da vítima era mais valioso que a vida dela.
E o mais grave: se esse tipo de autor não for identificado, ele voltará a agir. Porque quem se sente acima da lei, age como se fosse ela.
É dever da polícia, da imprensa e da sociedade recusar a normalização dessa crueldade meticulosa. E é dever do Estado garantir que esse "monstro elegante" não permaneça entre nós, apertando mãos, sorrindo para câmeras ou conduzindo negócios como se nada tivesse acontecido.
Porque o silêncio da vítima foi brutal. Mas o silêncio da justiça seria imperdoável.

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