Que geração estranha é essa que cresce com o rosto iluminado pela luz fria das telas?
Falam o tempo todo, mas dizem tão pouco. Riem com reações, choram com áudios acelerados, vivem como se tudo fosse urgente — menos o sentir.
Sonhos? Têm, mas são vazios. Sonham em ser virais, em alcançar seguidores, em caber na moldura de um feed que muda a cada rolagem. Sonham alto, mas flutuam raso. Querem ser alguém, mas se perdem tentando ser todos.
Me arrisco a dizer que falta exagero, e é verdade. Falta amar sem medo, errar sem culpa, lutar por ideias, por causas, por gente. Falta se jogar. Falta sujar as mãos de vida.
A geração dos hippies tinha isso: a ousadia de amar livre, de acreditar que mudar o mundo começava com um gesto, um abraço, uma flor no cabelo.
Agora? É a geração de papel.
Frágil. Dobrável. Moldável ao gosto da moda, da marca, da próxima trend. Relacionamentos descartáveis, amizades por conveniência, opiniões copiadas. Uma geração que posta tudo, mas revela nada.
E no fundo, não é culpa deles. O mundo ficou rápido demais, exigente demais, barulhento demais.
Mas talvez ainda dê tempo.
Tempo de sair da tela e entrar no mundo. De voltar a exagerar — na presença, no carinho, na entrega.
De ser de carne. De alma. De verdade.
Porque viver é muito mais do que estar online. É preciso estar vivo.

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