Se você quer um encontro garantido com o Coisa-Ruim, esqueça encruzilhadas ou pactos sombrios—basta dar um pulinho em uma igreja evangélica. Mas vá preparado, porque o ambiente é praticamente um resort para entidades malignas. Aqui, Lúcifer e seus asseclas trabalham em regime de escravidão, sendo exorcizados à exaustão em sessões que fariam inveja a qualquer produção de Hollywood.
Não quero generalizar—quem sabe, entre mil denominações, uma ou duas escapam dessa obsessão demoníaca—mas, no geral, os templos viraram palcos para o teatro do terror gospel. Tem exorcismo para todos os gostos: feito por pregadores experientes, por crianças de nove anos e até por fiéis que ontem mesmo estavam endemoniados. Tudo, claro, sob os olhos atentos de uma plateia que paga pelo espetáculo com dízimos e ofertas.
O mais assustador? O expediente do Capiroto. Sem horário, sem folga, sem direitos trabalhistas. Ele é obrigado a dar plantão em múltiplos templos na mesma noite, às vezes participando de rodadas duplas do mesmo show. Se houvesse um sindicato para encostos, isso já teria virado caso de denúncia.
E ainda tem gente que morre de medo de ver o Tinhoso! Meu conselho? Simples: não pise em uma igreja evangélica. Lá, o diabo não só aparece—ele é a estrela principal, enquanto Deus faz uma pontinha discreta, Cristo luta para ser lembrado, e o Espírito Santo vira figurante de luxo.

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