A morte de Ezequiel Santos, jovem de 23 anos, não foi uma tragédia inevitável. Foi o desfecho de uma violência institucionalizada, autorizada pelo poder público e mascarada por um silêncio ensurdecedor. Atropelado por uma viatura da Guarda Municipal de Araguaína em março de 2023, Ezequiel passou os últimos dois anos tetraplégico, até que, em maio de 2025, sucumbiu a uma virose — ou melhor, sucumbiu à negligência do Estado.
Mas há perguntas que ecoam no ar como gritos não ouvidos: onde estão os guardas que causaram o acidente? Foram punidos? Afastados? Respondem a algum processo administrativo ou criminal? Ou continuam patrulhando as ruas como se nada tivesse acontecido?
A população segue no escuro. Não há transparência, não há respostas, não há sequer a dignidade de um pronunciamento oficial. A Prefeitura de Araguaína se cala. Os vereadores fingem que não viram. E o chefe da ASTT, Terciliano Gomes, parece confundir cargo público com escudo de omissão. É revoltante — e revelador.
Esse silêncio não é só covardia. É cumplicidade. É o tipo de comportamento que naturaliza a barbárie, transforma assassinos uniformizados em "agentes da lei" e empurra mães enlutadas para os bastidores da história, como se a dor delas não valesse nada.
A Guarda Municipal de Araguaína atropelou um jovem. Literalmente. E o que fez o poder público? Nada.
Nenhuma nota. Nenhum afastamento preventivo. Nenhuma sindicância transparente. Nenhuma satisfação à sociedade. Ezequiel morreu duas vezes: uma no asfalto, outra no abandono institucional.
A pergunta que não quer calar é: quem está protegendo esses guardas? Por que a Prefeitura insiste em silenciar? Quantos Ezequieis mais precisarão morrer para que algo mude?
Chega de notas frias. Chega de desculpas técnicas. A cidade exige — e merece — explicações. E se elas não vierem, que fiquem registrados os nomes dos cúmplices: os omissos, os covardes, os que viram e nada fizeram.
Araguaína não pode ser a cidade onde a Guarda atropela e a Justiça se esconde.

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