A desculpa esfarrapada do "racismo estrutural" e da "criação" serve como manto para encobrir os verdadeiros racistas, aqueles que exalam seus preconceitos repugnantes sem pudor.
Recentemente, um membro da minha família, ao se referir ao vencedor do BBB24, Davi, soltou a pérola venenosa: "Stoff, viu isso? Aquele negro do Big Brother, já está mudado. Tá se achando, aquele macaco." Essa frase foi como uma adaga perfurando meu peito. Tentei argumentar que um jovem negro tem todo o direito de se impor e questionar a narrativa que o cerca ao se tornar milionário.
O racista elevou o tom, gritando: "Aquele preto, se acha mesmo." Eu também ergui a voz e gritei de volta: "Racista! Seu problema é o racismo. Você é racista, e para os racistas, é insuportável ver um negro vencedor de um reality show e milionário."
Essas palavras me feriram profundamente. Como pessoa LGBTQIA+ e pai de um garoto negro, sei o que é lidar com o preconceito desde a infância e compreendo o quão devastador ele pode ser. O preconceito tem o poder de levar uma criança de quatorze anos a considerar beber veneno. O preconceito mata.
Cheguei à conclusão de que para realmente combater o racismo e o preconceito, precisamos educar nossos familiares e amigos mais próximos.
É impossível ficar em silêncio como LGBTQIA+ e pai de um garoto negro. Devemos confrontar, mesmo que seja com gritos, aqueles que insistem em vomitar seu racismo diariamente, como se fosse algo trivial. Devemos mostrar a essas pessoas que não toleramos mais suas palavras odiosas, seus crimes e sua falta de caráter.
Quantas vezes sorrimos de maneira forçada e sem graça por medo de expressar nossa revolta, nosso desconforto e nojo diante das palavras racistas de um familiar, com medo de desagradar, mesmo que essas palavras nos firam profundamente.
É crucial sermos antirracistas não apenas nas redes sociais, nas rodas de amigos ou nas ruas, mas também enfrentar o racismo expresso por nossos próprios familiares dentro de nossas próprias casas.

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